“Proteína de Deus” descoberta por brasileiros tem revertido lesões na medula e feito pessoas voltarem a andar

 

(Foto Reprodução/rede social)
 

Uma molécula criada a partir de uma proteína do próprio corpo virou assunto entre médicos, pacientes e Justiça. A polilaminina entra agora em testes humanos sob regras rígidas, após anos de pesquisa no Brasil.


O que torna a polilaminina diferente de outras tentativas?


A polilaminina é uma forma modificada da laminina, proteína natural ligada à organização de tecidos e ao crescimento celular. Em lesões medulares, a proposta é oferecer suporte para reconstrução de axônios, estruturas rompidas no trauma.


Pesquisadores descrevem o composto como um “andaime biológico”: ao formar uma rede no local lesionado, ele poderia facilitar o caminho para o crescimento nervoso observado em modelos experimentais. A substância é estudada no país há quase três décadas.


Quais são os 5 pontos centrais que explicam a pesquisa?


Para entender o cenário atual, vale organizar os fatos principais do desenvolvimento, dos resultados iniciais e do que vem pela frente. Entre os 5 pontos mais importantes estão os que você vê a seguir.


Origem: desenvolvida na UFRJ a partir da laminina, com estudos iniciados “por acaso”.

Produção: laminina é extraída de placentas doadas; não é proteína recombinante 100% feita em laboratório.


Evidências iniciais: estudo preliminar com 8 pacientes (pré-print) teve respostas variadas, incluindo melhoras consideradas relevantes.

Regulação: a Anvisa autorizou o início do estudo clínico fase 1, primeira etapa antes de qualquer registro.

Uso fora de protocolo: houve aplicações via liminares, com debate ético e relatos de evolução em casos específicos.

O que os dados em humanos mostraram até agora?


No estudo preliminar com 8 voluntários com lesão medular completa tipo A, a aplicação ocorreu durante cirurgia, diretamente na medula espinhal. Metade tinha lesão cervical e metade torácica, com evolução heterogênea.


Durante o acompanhamento, 2 pacientes morreram em decorrência da lesão e 6 recuperaram controle de movimentos, resultando em taxa de 75% no grupo, comparada a 15% em dados históricos citados como referência. O material foi divulgado como pré-print.


Confira o vídeo compartilhado pelo canal do TikTok miguel.angelo.gar8 mostrando a entrevista realizada pelo programa The Noite com a Dra. Tatiana Sampaio:


Como a molécula é feita e aplicada na cirurgia da medula?


A Cristália atua com a UFRJ na produção. Gestantes são convidadas a doar a placenta no pré-natal, e a saúde das doadoras é acompanhada para reduzir risco de contaminação. Depois ocorre extração e purificação da laminina.


No centro cirúrgico, chegam dois frascos e o médico mistura diluente e laminina.

A rede se organiza no trecho acima e abaixo da lesão, formando suporte local.

Janela crítica: na fase 1, a aplicação deve ocorrer em até 72 horas após o trauma.

O que muda agora na fase 1 e por que há cautela?


A fase 1 avalia principalmente segurança e tolerância: serão 5 pacientes com lesão medular completa e torácica. O estudo envolve HC-FMUSP e Santa Casa, com reabilitação apoiada pela AACD, e previsão de conclusão em cerca de um ano.


Pesquisadores apontam que liminares para uso fora de protocolo são cientificamente inadequadas por dificultarem coleta padronizada de dados e detecção de eventos raros. Especialistas reforçam que pode haver melhora espontânea em alguns quadros, e que fisioterapia e estímulos seguem essenciais.


Em.foco.com