Toffoli deixa relatoria do caso Master no STF; Veja qual foi o motivo?

 

(Foto: Victor Piemonte/STF)
 

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), deixou a relatoria do inquérito do Banco Master nesta quinta-feira (12). O afastamento se deu depois que a Polícia Federal enviou ao presidente da Corte, Edson Fachin, relatório sobre a perícia feita no celular do dono da instituição financeira, Daniel Vorcaro.


Os ministros da corte se reuniram após a sessão e conversaram com as portas fechadas. O encontro terminou por volta das 20h30 e o anúncio de Toffoli veio na sequência. A Jovem Pan apurou que o ministro argumentou com os colegas que não via motivos para deixar a relatoria do caso, mas se viu isolado e acabou cedendo aos colegas. A avaliação de ministros da corte é que a atuação do ministro no caso vem causando um desgaste desnecessário ao Supremo.


Em nota assinada pelos 10 ministros do STF, eles tinham declarado que as acusações não eram “caso de cabimento para a arguição de suspeição” e reconheceram a validade dos atos praticados pelo Ministro Dias Toffoli na relatoria. Entretanto, ao fim da nota, informam que, com a decisão de Toffoli, a “Presidência adotará as providências processuais necessárias, para a extinção da AS e para remessa dos autos ao novo Relator”. A distribuição está prevista para acontecer ainda nesta quinta-feira.


No documento enviado a Fachin, a PF informou ter encontrado diversas menções ao magistrado no aparelho do banqueiro. Por esse motivo, a PF pediu ao presidente do STF a arguição de suspeição de Toffoli. Ou seja, que o ministro seja declarado “suspeito” para atuar no processo. No entanto, essa solicitação só pode ser feita pelo Procurador-Geral da República, Paulo Gonet.


Em nota emitida pelo gabinete, Toffoli disse na quarta-feira (11) que o pedido se “trada de ilações”. Baseado no artigo 145 do Código de Processo Civil, o magistrado também argumentou que a corporação “não tem legitimidade” para fazer a solicitação. Ele ainda afirmou que, com relação ao conteúdo do relatório, “a resposta será apresentada ao presidente da Corte”.


Pagamentos à empresa de Toffoli


Segundo o relatório da PF, Vorcaro e o seu cunhado Fabiano Zettel trocaram mensagens em que discutiam pagamentos à Maridt Participações. Toffoli e seus dois irmãos são sócios da empresa.


Nas mensagens, tanto Vorcaro, quanto Zettel citam nominalmente o sobrenome Toffoli. Os pagamentos seriam referentes à compra do Tayaya Resort, no qual a Maridt fazia parte do quadro societário. Os detalhes do relatório foram publicados pelo jornal Folha de S. Paulo e confirmados pela Jovem Pan.


Nesta quinta-feira (12), o gabinete de Toffoli emitiu uma nova nota sobre o vínculo do ministro com a Maridt Participações e supostas ligações com Vorcaro. No comunicado, o magistrado negou ter “qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima” com o banqueiro. Ele também disse que “jamais recebeu qualquer valor” do banqueiro ou de Zettel.


Sobre a Maridt Participações, Toffoli declarou ser uma “empresa familiar constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado”. Sustentado na Lei Orgânica da Magistratura, o ministro disse que integra o quadro de sócios da companhia, mas a administração é feita pelos seus familiares.


O magistrado ainda relatou que a empresa integrou o grupo Tayaya Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025. Em nota, Toffoli afirmou que essa participação foi encerrada por meio de “duas operações sucessivas, sendo a primeira, a venda de cotas do Fundo Arllen, em 27 de setembro de 2021” e a segunda, ao PHD Holding, na data do fim do vínculo com o resort.


“A ação referente à compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) foi distribuída ao ministro Dias Toffoli em 28 de novembro de 2025. Ou seja, quando há muito a Maridt não fazia mais parte do grupo Tayaya Ribeirão Claro”, comunicou o gabinete.


Entenda o caso do Banco Master


Após identificar indícios de irregularidades financeiras e a grave crise de liquidez, o Banco Central determinou, em novembro de 2025, a liquidação extrajudicial do Banco Master S/A, do Banco Master de Investimentos S/A, do Banco Letsbank S/A e da Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.


Em 21 de janeiro, o Will Bank, braço digital do conglomerado de Vorcaro, também teve o seu encerramento forçado.


Segundo as investigações, o Banco Master oferecia Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rentabilidade muito acima do mercado. Para sustentar a prática, a instituição financeira passou a assumir riscos excessivos e estruturar operações que inflavam artificialmente o seu balanço financeiro, enquanto a liquidez se deteriorava.


Os episódios do Banco Master e da gestora de investimentos Reag, liquidada em 15 de janeiro, são os mais graves do sistema financeiro brasileiro. Os casos envolvem, além das fraudes, tensões entre o STF e o Tribunal de Contas da União (TCU), bem como com o Banco Central e a PF.


Em 17 de janeiro, Fundo Garantidor de Crédito (FGC) iniciou o processo de ressarcimento aos credores do Banco Master, Banco Master de Investimento e Banco Letsbank. O valor total a ser pago em garantias soma R$ 40,6 bilhões.


Jovem pan