Justiça manda soltar MC Ryan, Poze e outros deveram ser beneficiados a soltura; Eles apoiaram Lula na eleição de 2022

 

(Foto: Reprodução/ Redes sociais/Arquivo Pessoal)
 

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou nesta quinta-feira (23) a soltura do funkeiro MC Ryan SP, preso desde o dia 15 de abril no âmbito de uma operação da Polícia Federal. A decisão é do ministro Messod Azulay Neto, relator do caso.


Ao conceder o habeas corpus, o ministro apontou ilegalidade na prisão temporária decretada contra o cantor. Segundo ele, a Justiça fixou prazo de 30 dias, apesar de a própria Polícia Federal ter solicitado apenas cinco dias de detenção, período que já havia sido cumprido.


Azulay também estendeu os efeitos da decisão a outros investigados que estejam em situação semelhante. Entre os que devem ser beneficiados estão o MC Poze do Rodo, além dos influenciadores Chrys Dias e Raphael Sousa Oliveira, responsável pela página Choquei.


Os investigados são suspeitos de integrar um esquema que teria movimentado cerca de R$ 1,6 bilhão, envolvendo apostas ilegais, rifas digitais, tráfico internacional de drogas, uso de empresas de fachada e atividades típicas de lavagem de dinheiro, como utilização de laranjas, criptomoedas e remessas de capitais ao exterior.


A operação que levou às prisões, batizada de Narco Fluxo, é um desdobramento de investigações anteriores da Polícia Federal. Segundo a corporação, a apuração teve início com a análise de arquivos armazenados no iCloud do contador Rodrigo de Paula Morgado, obtidos na Operação Narco Bet, que por sua vez teve origem na Operação Narco Vela, ambas deflagradas em 2025.

 

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 A repercussão da prisão dos MCs Ryan SP e Poze do Rodo, durante operação da Polícia Federal nesta quarta-feira (15), ganhou um novo contorno nas redes sociais com a circulação de registros que mostram que os artistas em questão já demonstraram alinhamento político com o presidente Lula  (PT), especialmente no contexto das eleições presidenciais de 2022.

Em um dos vídeos mais compartilhados, o MC Ryan SP aparece celebrando o resultado do pleito com referências ao discurso de campanha de Lula, mais especificamente relembrando promessas do petista sobre “picanha” e “churrasco”.

– Ganhou, é. Ô, Lula, já churrasco para fazer, hein, Lula. Ei, churrasquinho, picanha, churrasco – declarou Ryan na época.

Já o MC Poze do Rodo aparece em um vídeo de um show realizado por ele durante o período eleitoral de 2022, no qual se posicionou de forma explícita a favor de Lula, incentivando o público a aderir ao coro favorável ao PT.

– Cada um escolhe o que quer ser, e eu sou Lula, p****. Um papo só, e quem fecha comigo canta assim, ó: vai dar PT, vai dar – afirmou.

Além disso, o nome de Poze já apareceu em evento oficial do atual governo. Durante a posse da ministra da Cultura, Margareth Menezes, a atriz Elisa Lucinda interpretou a canção A Cara do Crime (Nós Incomoda), evidenciando a presença indireta do funkeiro no cenário cultural ligado à gestão federal.


SOBRE AS PRISÕES DOS MCs


Polícia Federal prendeu os MCs Ryan SP e Poze do Rodo durante uma grande operação que apura um esquema de lavagem de dinheiro que ultrapassaria R$ 1,6 bilhão. Chamada de Operação Narcofluxo, a ação ocorre simultaneamente em diversos estados, com foco principal em São Paulo e Rio de Janeiro. O influenciador Chrys Dias também está entre os alvos da investigação.

De acordo com as apurações, MC Ryan SP foi detido em uma festa na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, no litoral paulista, após agentes cumprirem mandados nas primeiras horas do dia. Já Poze foi preso em um condomínio de luxo no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, o mesmo local onde, no mês passado, o cantor disse ter sido vítima de um assalto.

Ao todo, a operação mobiliza mais de 200 policiais federais, que atuam no cumprimento de 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão. As ordens judiciais foram expedidas pela 5ª Vara Federal de Santos (SP) e estão sendo executadas em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal.

Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado utilizava uma estrutura organizada para ocultar e dissimular recursos de origem suspeita, com uso de empresas e até operações com criptoativos. As investigações também apontam para movimentações financeiras no Brasil e no exterior, além do transporte de grandes quantias em dinheiro em espécie.

Durante o cumprimento das medidas, foram apreendidos veículos, valores em dinheiro, documentos e equipamentos eletrônicos que devem contribuir para o avanço das investigações. Também foram determinadas ações de bloqueio de bens e restrições a empresas ligadas aos investigados, com o objetivo de interromper o fluxo financeiro.

Os envolvidos podem responder por crimes como associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A Polícia Federal não detalhou, até o momento, a participação individual de cada investigado.

Fonte: Pleno.News